“A história acabou”, teria dito alguém após o fim da URSS e a queda do muro de Berlim. A “ameaça comunista” teria terminado e agora o capitalismo poderia seguir livre, sozinho e dominar o mundo, não haveria mais barreiras. Com o fim da guerra fria o capitalismo assumiu uma nova face, a neoliberal, mais selvagem e sem escrúpulos, onde empresas transnacionais migram para países onde exista o mínimo de direitos para os trabalhadores, sem sindicatos fortes, salários baixos e onde há mais vantagens econômicas e consumidores, sejam eles ricos que possam comprar a vista, ou pobres que se endividam pagando quase a vida toda, em mil vezes com juros, por algum produto.
Essa economia neoliberal faz com que países como o Brasil queiram extinguir leis trabalhistas, como a CLT. Com menos direitos para os trabalhadores, sindicatos cujos presidentes são pelegos e com salário de no máximo R$ 450, as transnacionais seriam atraídas para nosso país.
As empresas transnacionais não tem pátria, se mudam para onde quiserem e quando quiserem, deixando para trás desemprego, miséria, problemas ambientais e levando consigo todas as riquezas do país. Elas não estão nem ai.
Acredito que estamos próximos do ápice do capitalismo, seu estado final e insuportável. Esse seria o momento ideal, segundo os marxistas, para uma revolução socialista, portanto as idéias de uma revolução comunista não morreram, apenas estão adormecidas.
Na verdade o mundo nunca conheceu o comunismo, esse modelo de sociedade sempre foi apenas uma utopia. URSS, Alemanha Oriental, China, Cuba, Coréia do Norte, enfim, não são e nunca foram países comunistas.
Antes da revolução de 1917 não havia capitalismo, nem mesmo uma república na Rússia, o que existia era uma monarquia. Para a teoria marxista aquele país não seria o ideal para uma revolução do proletariado. Tiveram que fazer uma revolução em cima de uma revolução. A primeira burguesa, a segunda comunista.
Ao contrário das idéias de Karl Marx, o poder não ficou nas mãos dos operários, mas sim de um partido único e centralizado, o Partido Comunista, que de soviético só tinha o nome, pois a maioria dos sovietes (operários) foi dizimada. As classes sociais que deveriam desaparecer com o comunismo continuavam firmes e fortes, burocratas do partido estavam no topo da pirâmide e os trabalhadores na base. A coisa ficou pior com Stalin, um homem autoritário e cruel, que deu as costas para tudo o que o socialismo deveria ser. O comunismo, que para Marx deveria ser mundial, Stalin transformou em “comunismo de um só país”. Ele foi responsável também por marcar para sempre todos os partidos comunistas no mundo inteiro que seguiram suas idéias, e o próprio comunismo em si, com a marca do autoritarismo.
Na China é que não existe comunismo mesmo. O sindicato é único e atrelado ao Estado, não existem leis trabalhistas, os salários são irrisórios, aumentando a desigualdade social, o que faz as empresas multinacionais invadirem o país.
O tal do “socialismo do século XXI” pregado por Hugo Chavez não me convence. O presidente da Venezuela mais me parece um populista nacionalista e pior de tudo, militarista, igual a Getúlio Vargas, que pouco faz pela classe trabalhadora.
O comunismo não deve ser feito pelo Estado, militares ou por um partido, ele deve ser feito pelos trabalhadores, a tal da “ditadura do proletariado” não deve ser conduzida por um líder, mas por todos os operários.
Os sindicatos não devem ser atrelados ao Estado, com aquela maldita contribuição sindical, ou com um líder peleguista, igual ao Paulinho da Força. Os sindicatos devem ser independentes, onde os trabalhadores se reúnam e discutam seus interesses, fechem fábricas, façam greves, como antigamente. Só assim, lutando pelos nossos direitos, forçaremos os capitalistas nos ouvirem. Eles estão acomodados com essa situação, ficam rindo da nossa cara em suas orgias, regadas a uísque importado e prostitutas caras, atrás de grades de proteção. Eles precisam de outra “ameaça comunista” para se preocuparem com os trabalhadores.
Hoje com a internet e a globalização, uma mobilização e conscientização proletária mundial pode ser feita. Imagine uma greve geral dos trabalhadores do mundo inteiro. Não é impossível. Basta querermos, se unirmos e lutarmos juntos com objetivo comum. Se eles criaram o neoliberalismo, criemos o neosocialismo então.
Nunca esteve tão atual a frase escrita no Manifesto Comunista: “operários de todo o mundo, uni-vos!”.