
O jornal o Estado de São Paulo realizou recentemente um concurso de “tirinhas”, cujo resultado foi divulgado no dia 10 de julho. Eu participei, obviamente perdi. Os vencedores foram: Custódio na categoria profissional e Sitião na estudante. Os dois receberam um super-computador. E só.
Esse foi o motivo de eu ter ficado zicado com o concurso. Os dois vencedores ganharam o prêmio e mais nada. Não vão publicar suas tiras no jornal. O que deveria ser um concurso para revelar novos talentos para publicar as tiras no jornal, se tornou apenas um concurso para dar prêmios. Eles ganharam o computador e ai? É só isso?
Quando eu comprei o jornal para ver o resultado, fui direto para o Caderno 2, que é o caderno de cultura do jornal, vi as velhas tiras de sempre e não achei o resultado, nem mesmo uma matéria falando sobre o assunto.
Revirei o jornal todo e encontrei o resultado onde eu jamais imaginaria: no caderno de Economia. Estava lá, um anúncio com os nomes e mais nada. Quem quisesse ver as tiras vencedoras que entrasse no site do jornal. Um total desprezo pelos quadrinhos nacionais.
Aliás, o jornal da grande imprensa que mais despreza os cartunistas brasileiros é o Estadão. Das suas cinco tiras, quatro são estrangeiras, sendo que dois dos autores já morreram (Charles M. Schulz e Bob Thaves) e um não produz nada de novo há mais de dez anos (Bill Watterson). O único artista nacional do jornal é o Maurício de Souza, que convenhamos, não precisa dessas tiras pra sobreviver.
Andei vasculhando os blogs dos finalistas e descobri uma safra de novos talentos, alguns melhores do que os que estão sendo publicados nos jornais hoje. Todos, acredito eu, sonhando que publicariam suas tiras todos os dias no jornal, pensando que seriam novos “Laertes”, “Glaucos” e “Angelis”. O pior foram os que nem ganharam nada. Se os vencedores não tiveram nenhuma divulgação, imagine eles.
E assim caminham os quadrinhos no Brasil...
